Mais de um ano após minha cirurgia na coluna para estancar o processo de paralisação, advinda com a doença “Meliopatia Cervical”, volto ao Hospital brasiliense SARAH para consulta e procura de algum novo tratamento que acelere minha recuperação. A “Meliopatia Cervical” é uma doença que me atingiu das vértebras c2 a c4 que foram se fechando e lesou a medula, causando um processo de paralisação (inicialmente dormência) nas mãos, depois pernas, chegou aos quadris, bexiga e intestinos.
A cirurgia abriu as vértebras, colocou pinos de tungstênio para mante-las afastadas e liberar a medula, para que aos poucos ela se recuperasse. Só que a recuperação é lenta.
Mais de um ano depois, os movimentos nas mãos, pernas e quadris votaram parcialmente e estacionaram. Só a bexiga e intestinos voltaram a funcionar quase normalmente. Para andar ainda preciso de apoio em longas distancias uso cadeiras de rodas, curtas distancias andador e proximidades ando( ou me arrasto) escorando os braços em paredes ou outros tipos de apoio.
Minha consulta no SARAH será no próximo dia 1 de Dezembro. Não sei se depois exigirão novos exames ou experimentarão outros medicamentos que acelere a recuperação dos movimentos e da lesão na Medula. Torço por uma solução, mas estou preparado para seguir como estou, com as limitações e seqüelas que ficaram com a doença. Mas sei que a solução se houver, esta no SARAH e na equipe do Dr. Hudson Mourão Mesquita, que me tratou nesses quase dois anos de doença.
Outro mistério é a origem da doença. De onde e como foram as vértebras se fechando até esmagar a medula e causar a quase completa paralisação do meu corpo? È algo que tanto eu como os médicos ainda teremos que descobrir, se isto for possível. Não houve queda ou acidente que pudesse detonar este processo Mas sigo confiante na melhoria e avanço da recuperação, que sempre soube seria demorada. Mas que cansa, cansa.
Em defesa do direito de asilo político e humanitário
Luiz Aparecido*
Tomado pelo espírito e solidariedade revolucionaria e humanitaria, divulgo em meu artigo de hoje, cópia da CARTA ABERTA de autoria do preso político italiano CESARE BATISTTI, que se encontra preso na penitenciária da Papuda no Distrito Federal, EM GREVE DE FOME desde o dia 13 de novembro de 2009, por tempo indeterminado.
Cópia da presente carta foi entregue ontem, dia 16 de dezembro, pelo Senador José Nery, do PSOL do Pará, ao Ministro Luiz Soares Dulci para chegar às mãos do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Várias atividades e iniciativas de apoio e solidariedade ao companheiro Cesare Battisti estão sendo articuladas para o início da próxima semana, com a finalidade de divulgarmos sua situação e buscarmos ampliar a mobilização em sua defesa, e impedir que o Presidente Lula assine sua deportação para a Itália, onde está condenado à prisão perpétua e sem direito a ver a luz do dia enquanto durar a pena. Importante lembrar que o companheiro Cesare Battisti foi guerrilheiro durante os anos de chumbo na Itália, na década de 70 e 80, quando enfrentou, juntamente com milhares de militantes de organizações da esquerda socialista, a máfia, a corrupção, a tortura e os esquadrões da morte das forças policiais do Estado italiano.
As entidades, parlamentares, partidos políticos, ativistas, militantes e personalidades do Distrito Federal que apoiam e se solidarizam com o movimento pela libertação e concessão de asilo político a Cesare, estarão realizando uma reunião plenária de mobilização e organização de atividades na próxima segunda feira, dia 16 de novembro de 2009, às 19 horas, na Auditório da FENASPS, situado no Edifício Venâncio V - Térreo - Loja 28 (CONIC).
Tais atividades visam ampliar a mobilização diante da realização do julgamento final do STF sobre o pedido de extradição formulado pelo governo fascista de Berlusconi, que ocorrerá na próxima quarta feira, 18 de novembro de 2009. Aos ativistas e militantes de outros estados, solicitamos que se integrem à corrente nacional de e-mails e manifestações públicas que possam chegar ao Presidente Lula, exigindo a imediata concessão de asilo político em nosso país e a consequente libertação de nosso companheiro de lutas e de sonhos por um mundo socialista. Aos ativistas do Distrito Federal, contamos com a sua presença nesta reunião de segunda feira. Pedimos, em nome de todos que estão envolvidos nessa campanha, que façamos unitariamente esse gesto humanitário e político pela vida e pela libertação de nosso companheiro Cesare Battisti.
*Jornalista e cientista social
“Carta aberta ao presidente Lula e ao povo brasileiro
Cesari Battisti
AO EXCELENTÍSSIMO SENHOR
LUIS INÁCIO LULA DA SILVA
PRESIDENTE DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL
SUPREMO MAGISTRADO DA NAÇÃO BRASILEIRA
AO POVO BRASILEIRO
“Trinta anos mudam muitas coisas na vida dos homens, e às vezes fazem uma vida toda”. (O homem em revolta –Albert Camus)
Se olharmos um pouco nosso passado a partir de um ponto de vista histórico, quantos entre nós, podem sinceramente dizer que nunca desejou afirmar a própria humanidade, de desenvolvê-la em todos os seus aspectos em uma ampla liberdade. Poucos. Pouquíssimos são os homens e mulheres de minha geração que não sonharam com um mundo diferente, mais justo.
Entretanto, freqüentemente, por pura curiosidade ou circunstâncias, somente alguns decidiram lançar-se na luta, sacrificando a própria vida.
A minha história pessoal é notoriamente bastante conhecida para voltar de novo sobre as reações da escolha que me levou à luta armada. Apenas sei que éramos milhares, e que alguns morreram, outros estão presos, e muitos exilados.
Sabíamos que podia acabar assim. Quantos foram os exemplos de revolução que faliram e que a história já nos havia revelado? Ainda assim, recomeçamos, erramos e até perdemos. Não tudo! Os sonhos continuam!
Muitas conquistas sociais que hoje os italianos estão usufruindo foram conquistadas graças ao sangue derramado por esses companheiros da utopia. Eu sou fruto desses anos 70, assim como muitos outros aqui no Brasil, inclusive muitos companheiros que hoje são responsáveis pelos destinos do povo brasileiro. Eu na verdade não perdi nada, porque não lutei por algo que podia levar comigo. Mas agora, detido aqui no Brasil não posso aceitar a humilhação de ser tratado de criminoso comum.
Por isso, frente à surpreendente obstinação de alguns ministros do STF que não querem ver o que era realmente a Itália dos anos 70, que me negam a intenção de meus atos; que fecharam os olhos frente à total falta de provas técnicas de minha culpabilidade referente aos quatro homicídios a mim atribuídos; não reconhecem a revelia do meu julgamento; a prescrição e quem sabem qual outro impedimento à extradição.
Além de tudo, é surpreendente e absurdo, que a Itália tenha me condenado por ativismo político e no Brasil alguns poucos teimam em me extraditar com base em envolvimento em crime comum. É um absurdo, principalmente por ter recebido do Governo Brasileiro a condição de refugiado, decisão à qual serei eternamente grato.
E frente ao fato das enormes dificuldades de ganhar essa batalha contra o poderoso governo italiano, o qual usou de todos os argumentos, ferramentas e armas, não me resta outra alternativa a não ser desde agora entrar em “GREVE DE FOME TOTAL”, com o objetivo de que me sejam concedidos os direitos estabelecidos no estatuto do refugiado e preso político. Espero com isso impedir, num último ato de desespero, esta extradição, que para mim equivale a uma pena de morte.
Sempre lutei pela vida, mas se é para morrer, eu estou pronto, mas, nunca pela mão dos meus carrascos. Aqui neste país, no Brasil, continuarei minha luta até o fim, e, embora cansado, jamais vou desistir de lutar pela verdade. A verdade que alguns insistem em não querer ver, e este é o pior dos cegos, aquele que não quer ver.
Findo esta carta, agradecendo aos companheiros que desde o início da minha luta jamais me abandonaram e da mesma foram agradeço àqueles que chegaram de última hora, mas, que tem a mesma importância daqueles que estão ao meu lado desde o princípio de tudo. A vocês os meus sinceros agradecimentos. E como última sugestão eu recomendo que vocês continuem lutando pelos seus ideais, pelas suas convicções. Vale a pena!
Espero que o legado daqueles que tombaram no front da batalha não fique em vão. Podemos até perder uma batalha, mas tenho convicção de que a vitória nesta guerra está reservada aos que lutam pela generosa causa da justiça e da liberdade.
Entrego minha vida nas mãos de Vossa Excelência e do Povo Brasileiro”.
Brasília, 13 de novembro de 2009
Cesari Battisti
Mercador da morte e do Apartheid visita o Brasil
Luiz Aparecido*
O Brasil recebeu nestes últimos dias, quarta e quinta-feira, o presidente do Estado de Israel, Shimon Peres. Como não podia deixar de ser, veio a negócios e tentar convencer nosso governo e nossa sociedade democrática, de sua política terrorista contra o povo palestino e os árabes e muçulmanos em geral. Foi recebido polidamente pelo presidente Lula, que não deixou passar a ocasião de, frente a frente com Shimon Peres, defender a próxima visita do presidente do Iran ao Brasil e de uma política de diálogo e respeito às diferenças raciais e religiosas, para criar um clima de paz e harmonia no Oriente Médio e no Mundo.
Deve ter surpreendido o presidente de Israel, que aqui veio disseminar sua política racista e de violência contra árabes e palestinos. Ao chegar Shimon Peres teve o desplante de dizer que iria fazer sugestões ao governo brasileiro em questões de segurança, principalmente porque vamos receber proximamente, a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos. Como se Israel soubesse tratar de segurança de forma civilizada e democrática.
O partido de Shimon Peres é o Kadima, fundado por Ariel Sharon, que coordenou os massacres de Sabra e Chatila no Líbano em 1982 e organizou a sangrenta repressão à segunda Intifada em 2000, que ele mesmo havia provocado. A atual presidente do Kadima é Tzipi Livni, que disputava o “mérito” da organização do massacre de Gaza em janeiro de 2009.
Shimon Peres disse, em entrevista ao Expresso, diário português, que “no fim, o mundo irá agradecer-nos” pelo massacre em Gaza, pelos 1500 mortos, pela destruição completa de um território que já vinha sofrendo dois anos de fechamento de fronteiras. É também um presidente que defende o crescimento dos assentamentos na Cisjordânia e a expansão do Muro que dilacera a sociedade palestina.
Mesmo assim teve platéia
Mas mesmo no Brasil, esse porta-voz de Israel foi recebido por vários dignitários brasileiros e pelos empresários paulistas, na semana em que o mundo se levanta contra o Muro do Apartheid. A Fiesp, sempre na contra mão da história e dos interesses populares, organizou um seminário especial destinado a discutir as relações comerciais Brasil-Israel e o Acordo de Livre Comércio Mercosul-Israel, pautado para votação no Congresso.
Além de Shimon Peres, falou o presidente da empresa israelense Elbit, desenvolvedora dos principais armamentos e tanques israelenses usados no massacre em Gaza. E parecia ser este mercador da morte o homem que entende de segurança publica. Logo ele, que alimenta as tropas israelenses nos massacres que produz em Israel contra o indefeso povo palestino. Lá eles confundem alguns grupos revolucionários e considerados terroristas, com todo o povo palestino e os árabes em geral e atiram em tudo que vêem pela frente nos territórios palestino. È só ver o escandaloso numero de crianças, mulheres e idosos mortos em cada investida israelense contra o que eles chamam de “terroristas”
Qual mensagem o Brasil passa ao mundo com essa visita? A mensagem de que senhores da guerra podem testar seus equipamentos contra populações infinitamente menos preparadas e depois vendê-los a outros países, sedimentando assim as “parcerias estratégicas”. Entretanto, vários protestos foram organizados em Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro contra este mercador da morte, racista e ponta de lança do imperialismo norte-americano no Oriente Médio.
*Jornalista e cientista social
Basta ver os noticiários na TV, ouvir nas emissoras de rádio ou ler nos jornais ou sites da Internet, para sentir como a violência na sociedade brasileira e capixaba aumenta e está impregnada em todas as camadas da população. Já não é mais sequer uma doença, mas uma septicemia aguda. E parece não haver política publica de segurança ou mobilização social que de jeito.
Os últimos acontecimentos do Rio de Janeiro, mostram a chaga de forma assustadora. Em guerra aberta de traficantes e policiais, a população civil das áreas conflagradas é quem mais sofre. Mais de 40 mortes numa semana de conflitos, muitos deles vitimas de balas perdidas. O povo trabalhador que é maioria da população destas áreas, sofre em meio aos tiroteios e anda é tratada como suspeita pelas forças de segurança. A guerra atinge a todos nos morros e favelas e afeta também a classe média e até mesmo, os antes intocáveis ricaços que habitam não só o Rio de Janeiro, mas São Paulo, Belo Horizonte e outros grandes e médios centros urbanos.
Nesta guerra fratricida, é a droga o principal combustível dos conflitos. Mas a miséria e o abandono social das populações pobres é outro detonador possante. A historia do Brasil mostra desde o fim da escravidão, como os negros e pobres foram sendo afastados dos centros urbanos e abandonados sem nenhuma política publica de inclusão social. Por décadas a situação só vem piorando, com o aumento da população e a concentração de renda e poder nas mãos de uns poucos, que nunca se preocupam com a distribuição de renda e Justiça social.
Num ambiente destes, a violência e o desprezo pela vida humana se dissemina e atinge setores médios e altos da população. Os parâmetros se diluem e o discernimento entre o certo e o errado, mais a disseminação do uso das drogas e do álcool, se tornam o combustível que incendeia a onda de violência. Crimes hediondos dentro de famílias aparentemente estabilizadas assusta ainda mais o vetor social. Filhos atacam pais em busca de meios para adquirir drogas, famílias se dilaceram em busca de heranças e vinganças pessoais, enfim, um pandemônio infernal assusta todo tecido social da Nação.
Isto, sem contar o mau exemplo dos políticos e classes dominantes, que como aves de rapina dilapidam o patrimônio publico e desmoraliza os símbolos do Estado e do que seria Publico. A própria Justiça parece contaminada por este mal, além de secularmente estar sempre ao lado dos ricos e poderosos. Estes exemplos vão solapando as bases de uma sociedade que deveria ser justa e solidária. Não basta mais a ação governamental, mas o despertar de toda população para a luta contra a pobreza, as drogas, o trafico de armas, a corrupção, a violência policial contra pobres e negros trabalhadores, o desperdício acintoso dos ricaços, que aviltam e despertam a ira da sociedade e cria o caldo de cultura da violência generalizada.
È hora de tomar consciência da gravidade da situação, os cidadãos de bem mobilizar a sociedade civil e exigir do poder publico ações concretas, contra a violência, a corrupção, e a inação dos poderosos e seus acólitos.
*Jornalista e cientista social
REVOLUÇÃO nunca saia da ordem do dia. Meu amigo, camarada, poeta, escritor e jornalista Luiz Manfredini, escreveu texto imperdível e irrefutável sobre a questão da Revolução no Brasil e no Mundo. Saiu primeiro no Portal Vermelho, mas esta no meu blog- www.luizap.blogspot.com. Leiam e divulguem!
Minha gente!!!
Otto Lara Rezende dizia que “mineiro só é solidário no câncer”. Não somos mineiros nem cínicos. Estou aguardando há meses chamado do SARAH para novos exames e buscar outros, ou um novo tratamento que me ajude a melhorar. Não tem sido mole não. Tenho piorado vagarosamente, Antes melhorava lentamente. Isto me preocupa, porque meus movimentos se tornam mais difíceis e, por exemplo, no final da tarde estou com a impressão de pesar 400 quilos e mal me locomovo amparado nas paredes e objetos.
Mas isto não é um lamento não. È apenas informando aos amigos mais chegados como estou.
Continuo na luta com o INSS para receber meu auxilio doença e depois tentar uma aposentadoria e aguardando que se transforme em realidade, a Anistia que conquistei no STJ e na Comissão de Anistia. Justiça no Brasil é fogo, só é boa para o Daniel Dantas e seus acólitos da vida. A família, Polyana e as crianças vão bem. Polyana cansada e estressada, mas lutando bravamente para que ganhemos nossas batalhas e nossa vida melhore.
Como dizia Corisco, o Diabo Louro de Lampião. "Só me entrego na morte, de Parabelun na mão".
Luiz Aparecido*
*Leia meus blogs- www.luizap.blogspot.com e www.luiz-aparecido.zip.net
Hipotético uso da força!!
Luiz Aparecido*
O presidente deposto de Honduras continua com seus 60 seguidores arranchado na Embaixada brasileira em Honduras. As negociações não andam, a Organização dos Estados Americanos-OEA e a ONU não tomam nenhuma atitude, não forçam via bloqueio e sanções, afastar os usurpadores do poder naquele pequeno pais caribenho e o impasse se arrasta por semanas e meses. O próprio Brasil, que deu guarida a Zelaya se sente impotente e aguarda um milagre que desça dos céus para resolver a questão. Afinal tudo acabou num imbróglio difícil de resolver.
Mas, e se os golpistas decidirem invadir a embaixada e evacuar Zelaya e seus seguidores e os prenderem. O que o Brasil irá fazer concretamente? Hipoteticamente só restaria ao Brasil declarar guerra e invadir Honduras e restabelecer o Estado de Direito com Zelaya na presidência. Se fosse com os americanos, certamente seria isto que iria acontecer, com o beneplácito da OEA e da ONU. Mas o Brasil faria o que?
Brasil sem força militar
Sequer um porta-aviões e navios de transporte de tropas para chegar rapidamente até lá, nós temos funcionando. Nossos comandantes militares vivem dizendo que nossas naves de guerra e até aviões de ataque, não funcionam direito e os poucos que ainda navegam e voam, o fazem por autofagia, ou seja, um quebra e vão pegando peças de outro para consertar. È feia a nossa situação de força militar. Isto para um país como o Brasil, continental e importante no panorama mundial. Econômica e socialmente um sucesso e militarmente um fiasco.
E não é por culpa do governo Lula não. Esta situação sempre foi precária e ultimamente só piorou. Depois da participação do Brasil na Segunda Guerra Mundial, herdamos um parque bélico sucateado e sobras do conflito e um acordo militar com os Estados Unidos, que só nos transformou em força auxiliar dos americanos em sua política belecista e hegemonista.Durante os mais de 20 anos de Ditadura Militar, as Forças Armadas foram voltadas para combater os inimigos internos do regime. Mas ainda assim os militares investiram num parque bélico brasileiro.
Criaram a Embraer e a Imbel, fabricaram pequenos aviões de treinamento e ataque, na Imbel, em consórcio com outras empresas produziram muitas armas, inclusive o lança mísseis Astra, que foi vendido para vários países e atuou com sucesso em guerras no Oriente Médio e na África. Nossa Marinha, através de seu Arsenal da Marinha produziu pequenos braços de guerra, reformou e modernizou vários navios e começou a trabalhar na construção de um submarino nuclear, projeto que continua em ação.
Enfim, os militares romperam o acordo militar que tinham com os americanos e diversificaram seu arsenal e fornecedores. A doutrina de Segurança Nacional que era inspirada pelos americanos em cima da Guerra Fria, foi ultrapassada, assim como a política de combate aos inimigos internos e o fim da Ditadura mudou tudo. A partir do governo Collor, houve uma deliberada política de desmonte das nossas Forças Armadas, também inspirada pela política norte-americana e neoliberal, de que com o fim da Guerra Fria e o “fim do socialismo real”, os paises não precisavam mais de forças armadas para combater o “perigo comunista”.
Hoje, o Brasil continua sem uma política de fortalecimento de suas forças armadas e luta para, pelo menos manter o mínimo de estrutura militar. Mas países como Argentina, Peru, Chile, Venezuela e Colômbia, apadrinhada pelos Estados Unidos na sua guerra interna contra a guerrilha das FARC e dos narcotraficantes, possuem forças armadas bem mais poderosas que o Brasil e podem nos vencer em qualquer conflito armado. Com crise Hondurenha ou não, o Brasil precisa ter uma Força Militar a altura de sua importância no Mundo e para defender suas fronteiras terrestres e marítimas, que são as maiores do Mundo. È uma questão de soberania nacional que deve interessar a todos os brasileiros de qualquer tendência política,
*Jornalista e Cientista Social
Companheiros e amigos
No dia 4 de novembro se completam 40 anos do assassinato de Carlos Marighella.
Frente a essa efeméride um grupo de companheiros relembra seu significado e o legado da luta histórica de Carlos Marighella.
Se você quiser aderir a essa manifestação, assine,através da Internet neste site :
Programe atividades em sua comunidade e local de atuação para debater essas ideias
Saudações
Comissão Organizadora 1969 2009 - 40 anos - Marighella Vive
Aos brasileiros
EM MEMÓRIA DE CARLOS MARIGHELLA
Carlos Marighella tombou na noite de 4 de novembro de 1969, em São Paulo, numa emboscada chefiada pelo mais notório torturador do regime militar. Revolucionário destemido, morreu lutando pela democracia, pela soberania nacional e pela justiça social.
Da juventude rebelde, como estudante de Engenharia, em Salvador, às brutais torturas sofridas nos cárceres do Estado Novo; da militância partidária disciplinada, às poesias exaltando a liberdade; da firme intervenção parlamentar como deputado comunista na Constituinte de 1946, à convocação para a resistência armada, toda a sua vida esteve pautada por um compromisso inabalável com as lutas do nosso povo.
Decorridos quarenta anos, deixamos para trás o período do medo e do terror. A Constituição Cidadã de 1988 garantiu a plenitude do sistema representativo, concluindo uma longa luta de resistência ao regime ditatorial. Nesta caminhada histórica, os mais diferentes credos, partidos, movimentos e instituições somaram forças.
O Brasil rompeu o século 21 assumindo novos desafios. Prepara-se para realizar sua vocação histórica para a soberania, para a liberdade e para a superação das inúmeras iniqüidades ainda existentes. Por outros caminhos e novos calendários, abre-se a possibilidade real do nosso País realizar o sonho que custou a vida de Marighella e de inúmeros outros heróis da resistência. Garantida a nossa liberdade institucional, agora precisamos conquistar a igualdade econômica e social, verdadeiros pilares da democracia.
A América Latina está superando um longo e penoso ciclo histórico onde ocupou o lugar de quintal da superpotência imperial. Mais uma vez, estratégias distintas se combinam e se complementam para conquistar um mesmo anseio histórico: independência, soberania, distribuição das riquezas, crescimento econômico, respeito aos direitos indígenas, reforma agrária, ampla participação política da cidadania. Os velhos coronéis do mandonismo, responsáveis pelas chacinas e pelos massacres impunes em cada canto do nosso continente, estão sendo varridos pela história e seu lugar está sendo ocupado por representantes da liberdade, como Bolívar, Martí, Sandino, Guevara e Salvador Allende.
E o nome de Carlos Marighella está inscrito nessa honrosa galeria de libertadores. A passagem dos quarenta anos do seu assassinato coincide com um momento inteiramente novo da vida nacional. A secular submissão está sendo substituída pelos sentimentos revolucionários de esperança, confiança no futuro, determinação para enfrentar todos os privilégios e erradicar todas as formas de dominação.
O novo está emergindo, mas ainda enfrenta tenaz resistência das forças reacionárias e conservadoras que não se deixam alijar do poder. Presentes em todos os níveis dos três poderes da República, estas forças conspiram contra os avanços democráticos. Votam contra os direitos sociais. Criminalizam movimentos populares e garantem impunidade aos criminosos de colarinho branco. Continuam chacinando lideranças indígenas e militantes da luta pela terra. Desqualificam qualquer agenda ambiental. Atacam com virulência os programas de combate à fome. Proferem sentenças eivadas de preconceito contra segmentos sociais vulneráveis. Ressuscitam teses racistas para combater as ações afirmativas. Usam os seus jornais, televisões e rádios para pregar o enfraquecimento do Estado. Querem o retorno dos tempos em que o deus mercado era adorado como o organizador supremo da Nação.
Não admitimos retrocessos. Nem ao passado recente do neoliberalismo e do alinhamento com a política externa norte-americana, nem aos sombrios tempos da ditadura, que a duras penas conseguimos superar.
A homenagem que prestamos a Carlos Marighella soma-se à nossa reivindicação de que sejam apuradas, com rigor, todas as violações dos Direitos Humanos ocorridas nos vinte e um anos de ditadura. Já não é mais possível interditar o debate retardando o necessário ajuste dos brasileiros com a sua história. Exigimos a abertura de todos os arquivos e a divulgação pública de todas as informações sobre os crimes, bem como sobre a identidade dos torturadores e assassinos, seus mandantes e seus financiadores.
Precisamos enfrentar as forças reacionárias e conservadoras que defendem como legítima uma lei de auto-anistia que a ditadura impôs, em 1979, sob chantagens e ameaças. Sustentando a legalidade de leis que foram impostas pela força das baionetas, ignoram que um regime nascido da violação frontal da Constituição padece, desde o nascimento, de qualquer legitimidade. E procuram encobrir que eram ilegais todas as leis de um regime ilegal.
Sentindo-se ameaçadas, estas forças renegam as serenas formulações e sentenças da ONU e da OEA indicando que as torturas constituem crime contra a própria humanidade, não sendo passíveis de anistia, indulto ou prescrição. E se esforçam para encobrir que, no preâmbulo da Declaração Universal que a ONU formulou, em 10 de dezembro de 1948, está reafirmado com todas as letras o direito dos povos recorrerem à rebelião contra a tirania e a opressão.
Por tudo isso, celebrar a memória de Carlos Marighella, nestes quarenta anos que nos separam da sua covarde execução, é reafirmar o compromisso com a marcha do Brasil e da Nuestra America rumo à realização da nossa vocação histórica para a liberdade, para a igualdade social e para a solidariedade entre os povos.
Celebrando a memória de Carlos Marighella, abrimos o diálogo com as novas gerações garantindo-lhes o resgate da verdade histórica. Reverenciando seu nome e sua luta, afirmamos nosso desejo de que nunca mais a violência dos opressores possa se realimentar da impunidade. Carlos Marighella está vivo na nossa memória e nas nossas lutas.
Brasil, 4 de novembro de 2009.
NOBEL PRECIPITADO
*Por Luiz Aparecido
O Comitê do Premio Nobel decidiu este ano, intempestivamente, conceder o Premio Nobel da Paz ao presidente norte-americano Barak Obama. Será merecido??
A mídia americana e mundial, controlada pelos mesmos homens e corporações que dominam o Mundo, celebram alegremente o premio. Mas não acredito que o presidente americano, o primeiro negro a chegar ao governo( não ao poder)seja merecedor desta honraria.
Ele até agora mantêm, com vagas promessas de acabar, a agressão americana no Iraque, no Afeganistão, interferindo em assuntos internos de vários paises do mundo, ameaçando nações soberanas, como Coréia do Norte e Irã e por ai vai. Os suspeitos de terrorismo (sem culpa formada ou julgamento justo) contra alvos americanos, continuam detidos e sendo torturados na Base usurpada de Guantanamo, em Cuba. O bloqueio econômico e humanitário que sufoca o povo cubano continua e a belicosidade americana permanece inalterada, apesar dos vários discursos de Barak Obama de que um dia mudara tudo isto.
Mas até agora nada mudou na beligerante política externa norte-americana e não creio que mudara tão cedo, se mudar!
O mundo espera
A eleição de Barak Obama presidente norte-americano, enfrentando o “status quo” mantido pelas corporações que formam o poder do imperialismo norte americano, foi um feito extraordinário para a sociedade americana. Afinal. Há poucas décadas os negros sequer podiam andar na mesma calçada que os brancos, freqüentar os mesmos ambientes e escolas e em certos Estados do Sul, sofriam as mais bárbaras perseguições e segregações. Portanto, eleger um negro presidente da República, já é um feito que mostra a sociedade americana e o cidadão médio daquela potencia mudando suas concepções de mundo.
Mas não podemos esquecer, que o tripé do poder americano, sediado nas corporações do setor industrial/militar, no sistema financeiro hegemonista e no poder do setor de comunicação/entretenimento e mídia, se mantém inalterado. E a crise econômica que foi gerada nos Estados Unidos e difundida por todo mundo capitalista, não foi combatida a partir de sua germinação. Pelo contrario, para manter o poderio das corporações, Barak Obama usou o potencial do Estado americano para socorrer os setores mais atingidos pela crise, que foram os crediticios/financeiros e as indústrias automobilística e bélica.
E a crise por lá continua, tendo sido seus efeitos mais graves apenas empurrados para debaixo do tapete. E quem mandava nos setores chaves do poderio americano continuam mandando, ou seja, o Pentágono, Wall Street e a CIA.
O golpe recente em Honduras, onde o presidente eleito e legitimamente no poder, foi deposto num golpe militar típico daqueles articulados pela CIA e seus amigos internos, ou seja, a classe dominante hondurenha e seus sócios americanos. Então onde estão as mudanças prometidas por Barark Obama e seu espírito e ações pela paz mundial. Continua inclusive sustentando política,financeira e militarmente Israel, que mantém sua agressão contra o povo e a nação palestina e fustigando os paises árabes independentes.
Se realmente Barak Obama decidir cumprir parte de suas promessas de campanha e terminar com as agressões americanas em várias partes do Mundo, aplicar até mesmo sua interna reforma do sistema de saúde, que beneficiara o povo pobre dos Estados Unidos( é isto mesmo, há milhões de pobres naquele país e miséria terceiro-mundista em vários locais) democratizar a mídia e o capital, acabar com o poder soberano do setor industrial/bélico e outras, pode mesmo é acabar com um tiro na cabeça. Que é como os americanos que realmente estão no poder, costumam resolver suas diferenças políticas.
*Jornalista/Cientista Social
O glorioso Partido Comunista do Brasil, o PCdoB esta em todo país discutindo suas teses e debatendo suas idiossincrasias em preparação de seu novo Congresso. Este processo sempre foi muito rico e o momento em que vivemos nós, os comunistas, entre a malfadada crise do socialismo real desde a queda do Muro de Berlin e o fim da União Soviética o transforma em mais rico ainda. A recente e ainda presente crise do capitalismo, gerada a partir do próprio pólo do capitalismo, transforma as discussões em mais ricas e mais esclarecedoras ainda.
Por isto. e talvez por isto, não entendo porque crises internas, motivadas pela má compreensão da luta de classes, idiossincrasias pessoais e motivos menores estão enpanando as discussões sobre as teses do Congresso e o esforço de fazermos um partido grande, massivo e a altura de seu objetivo que é fazer a revolução( qual método e caminho, ainda vamos descobrir) e engrandecer o Brasil. Ninguém é dono da verdade num momento destes e só a discussão séria e leal aos princípios pode nos levar a algum lugar. Bem distante de ser uma sublegenda do PT ou um partidinho de pseudo quadros iluminados, cujas lamparinas não clareiam sequer os próximos passos. Tenho dito, Benedito. Que o Cintra o tenha com toda sua sabedoria de sambista da vida.
Os ETs podem estar entre nós!!!
Desde aquele primeiro de janeiro de 1979 que cheguei aqui no Espirito
Santo, peguei birra com Cariacica. Pela janela do onibus naquele
começo de tarde quente e mdorrento, fui passando por lá até chegar
propriamente em Vitória. Vi um povo estranho até no jeito de andar. Ao
longo do tempo que fui passando aqui em terras capixabas, minha
impressão de que Cariacica(que nome, heim) poderia ser uma colonia de
ETs foi se consolidando. A medida que conhecia gente daquela
cidade,meio bairro de Vitória, mais assustado ficava. A quem podia
perguntava pelo pai e mãe, de onde eram. Poucas respostas ouvi que me
satisfizesse(?), continuava achando aquele povo estranho.
Quem for pesquisador profundo da alma caixaba, pode me ajudar nesta
pesquisa, importante para nós e para os Ufólogos. Sera Cariacica e seu
povo, uma colonia de ETs plantada pelos marcianos ou outros povos
alhures ao planeta terra. Dizem que há muitas espalhadas pelo
planeta.Gente igualzinho a nós, mas ETs!!!!
Alias, acho que o povo de Linhares tambem parecido com uma colonia
alienigena. Deve haver nestas duas comunidades seres humanos, mas que
entre eles há muitos ETs, não tenho duvidas. Isto pode explicar muita
coisa da sua vida e vivencia por aqui. Pense nisto com gosto.
Abração e não estranhe ninguem que vai muito em Cariacica ou seja de lá.
Luiz Ap e suas amalucadas elocubrações. Que podem ser verdadeiras, ou não!!!
30 ANOS ATRAS-REVIVEVNDO A REORGANIZAÇÃO
DO PCDOB NO ESPIRITO SANTO(primeira parte)
CHEGANDO EM TERRAS CAPIXABAS!
Foi num dia primeiro de janeiro de 1979, num calor de rachar e modorrento começo de tarde, que desembarquei em Vitória, na antiga rodoviária da Praça Misael Pena, perto do Parque Moscoso. Tinha saído de São Paulo na noite anterior com duas missões: uma profissional, de assumir o Departamento de Projetos Especiais da Rede Tribuna e outro de procurar os remanescentes do PCdoB que restavam no Estado e reorganizar o Partido.
Tinha saído da cadeia depois de mais de três anos de cana dura e pouco antes de ser decretada a Anistia. Trabalhei neste período em São Paulo, na redação da Revista Manchete e me articulava com o partido, que ainda vivia na clandestinidade, mas botava suas manguinhas de fora, lançando o jornal “Tribuna Operaria”, organizando movimentos de massa como o “Movimento Contra a Carestia” e atuando subliminarmente no antigo MDB, onde preparávamos o lançamento do primeiro deputado federal comunista e operário desde a legalidade de 1945, o Aurélio Peres.
Nesta época ainda subsistia no partido as duas estruturas montadas para sobreviver aos anos de chumbo, quando os militares dizimaram as organizações de luta armada e andava ferozmente atrás do PCdoB, que vinha da luta da guerrilha do Araguaia. Eu quando sai da prisão, contatei a estrutura 1 e foi esta que determinou minha vinda para o Espírito Santo. Na época precisávamos de gente audaciosa e com certa cobertura legal para reorganizar o Partido em vários Estados, onde ele tinha sido praticamente dizimado. A mim coube escolher entre Pernambuco e Espírito Santo.
Tive sorte de em dezembro de 1978, encontrar no prédio da Folha de São Paulo onde fui ver uns amigos, o Sergio Alves, que no inicio de minha carreira profissional, tinha me ajudado muito na “Ultima Hora”, onde trabalhamos sob a direção do lendário Samuel Wainer. Ele então me contou, que tinha assumido a direção do jornal “A Tribuna”, no Espírito Santo e que o grupo João Santos, dono do empreendimento, entre outros, tinha em mente montar um complexo de comunicação no Estado, com emissoras de rádio e Televisão. Sergião, como o chamávamos, me convidou então para vir com ele enfrentar a tarefa, porque ele tinha falta de pessoal mais qualificado na época para tocar os projetos.
Juntou a fome com a vontade de comer. Comuniquei a novidade ao partido que adorou a idéia e Ozéias, que era meu dirigente mais imediato concordou que eu fosse para o Espírito Santo. Chegaria inclusive, numa situação legal e com cobertura suficiente para iniciar a procura pelos camaradas comunistas dispersos e até recrutar mais gente para o partido. E foi nesta que embarquei sózinho, mas com a promessa de trazer logo depois minha companheira na época, a “italiana” Adelina Bracco, que também ajudaria no Jornal e a reorganizar o partido.
Nas primeiras semanas, encontrei o Sergio Alves (naquele mesmo primeiro dia), que me acomodou num apartamento que o Grupo João Santos possuía na Praia da Costa, em Vila Velha, fui conhecer o funcionamento do Jornal e preparar minha estrutura de trabalho e mergulhar nos arquivos para conhecer melhor o Espírito Santo. E tentar achar os remanescentes do combalido PCdoB.
CADÊ OS CAMARADAS?(Segunda parte)
Quando sai de São Paulo, o partido me indicou apenas codinomes, pessoas que já tinham se retirado da luta e apenas uma pessoa que poderia me ajudar a encontrar os membros do Partido dispersos. Um tal de Zanata, que quando o encontrei, um mês depois de ter chegado ao Espírito Santo, era ligado as pastorais da Igreja católica, que ficou até assustado quando lhe falei em encontrar membros do partido. Ainda vivíamos na Ditadura, apesar dela estar nos seus últimos estertores e o medo da repressão ainda prevalecia. Ele já estava comprometido com o projeto do PT, onde esta até hoje.
Estava na estaca zero quando voltei a São Paulo para buscar minha mulher e companheira da época, a italiana Adelina Bracco, que veio para trabalhar na A Tribuna comigo e me ajudar na reorganização do partido. Ela foi para a editoria de Política do jornal ser repórter, também com o objetivo de tentar encontrar algum comunista desgarrado. Acabou que ela cobrindo a Assembléia Legislativa, encontrou o Gildo Ribeiro, que era do partido e conhecia muita gente no Estado e os camaradas remanescentes que continuavam dispostos a reorganizar o partido.
Com a ajuda entusiasmada do Gildo, chegamos ao Dines Brozeguin, que tinha uma oficina de mecânica pesada perto do Aeroporto, o Paulo Mossoró, Nilson “Bigode” e mais tarde o Nilo Walter, Ildefonso, Mauro Edem e outros de Vila Velha, o seu Guilherme de Cachoeiro e outros arredios comunistas. Havia ainda um grupo de jovens e pessoal de esquerda, que faziam um jornal alternativo da época, chamado “Posição”, liderados por um comunista, Luzimar Nogueira Dias, que estava arredio e desconfiado de nós, pela ousadia de nos mostrarmos comunistas ainda em plena Ditadura. Ele tinha contatos coma a outra estrutura do Partido, que por motivos óbvios, não me conhecia, nem sabia de nossa tarefa no Estado.
Com este pessoal, eu e a Adelina gastamos muito “latin” para convencê-los de que era a hora de cuidadosamente, mas com ousadia, reorganizarmos o partido. Do pessoal do “Posição”, veio logo o Namy Chequer, que por sinal levamos também para trabalhar na editoria de Política de “ A Tribuna” e começamos a trabalhar a cabeça dos irmãos Martins, Joãozinho, que depois foi o primeiro deputado estadual do partido desde 1946, o Carlos Umberto e o Chiquinho. Eles estavam, como muitos outros jovens de esquerda, entusiasmados com o projeto de formação do PT que estava nascendo naquela época.
Nesta tarefa, o Namy ajudou muito a convencer os irmãos Martins a vir para o PCdoB, inclusive Joãozinho, que naquele tempo morava em Cachoeiro de Itapemirim e trabalhava no Banco do Brasil. Na “Tribuna” também tinha o Luiz Rogério Fabrino, antigo militante do PCdoB que estava desligado e aderiu imediatamente ao nosso projeto. Logo depois chegou de São Paulo o Clóves Geraldo, que entrou na estrutura do partido e ajudou ele a crescer numérica e teoricamente. Ainda de São Paulo, veio o capixaba que lá estava ha muito tempo, Graciano Dantas, que também entrou na Tribuna e na estrutura do partido.
Por ai começamos as primeiras reuniões, formamos a primeira célula partidária e começamos o trabalho político usando a estrutura do PMDB. Tínhamos como aliados o então deputado Dilton Lyrio e Roberto Valadão, cujo irmão e cunhada, Arildo e Áurea, tinha morrido combatendo na Guerrilha do Araguaya. E ainda Max Mauro, recém eleito deputado federal e antigo simpatizante do PCdoB.
A partir disso, enquanto corria o ano de 1979, fomos remontando o partido e recrutando outras pessoas. Muitos que tinham participado do partido antes da “queda” de 1972, que praticamente dizimou o partido no Estado, não demonstraram interesse em voltar a militar. Direito deles.
CRESCENDO E APARECENDO (Terceira Parte)
Já corria os anos 80, quando Antonio Alaerte, Zizi Mareto e João Amorim e Wanda Gasparini, Graça e outras amigas delas vieram para o PCdoB. Já ali por 1981 e 1982, quando fizemos a campanha vitoriosa do Gildo para vereador em Vitória, tínhamos um razoável contingente, alem de outros jovens que Joãozinho e Carlos Umberto foram recrutando. E ainda Zé Maria, Mastela e Walter Araújo, a Jô e outros. Ainda entre 79 e 80, Luzimar Nogueira Dias, que era uma referencia para estes jovens, depois de uma viagem ao Rio de Janeiro, onde lhe garantiram que éramos do PCdoB, acabou por aderir a nossa estrutura. Nesta época as duas estruturas do partido haviam já se fundido e com a Anistia e a volta de João Amazonas, Renato Rabelo e outros, novo alento alcançou o partido que crescia e se desenvolvia, adquirindo respeitabilidade na vida política local.
A”Tribuna Operaria” era nossa senha e porta voz. Criamos uma sede para a sucursal do jornal em Vitória, onde funcionava a direção provisória(ainda clandestina) do partido. Foram tempos difíceis, mas alvissareiros para o partido que ia ressurgindo cheio de energia e planos futuros. A direção nacional nomeou um assistente para o Estado, que foi no inicio o Ronald de Freitas e depois o Dineias Aguiar, na época conhecido como Décio, ou Careca.
Já com um bom numero de militantes e respeitabilidade política, começamos a preparar a nossa Conferencia de Reorganização, que aconteceu, clandestinamente, num apartamento alugado para este fim, na Praia da Costa, em Vila Velha. Foi Dineas Aguiar que dirigiu a Conferencia que elegeu a primeira direção formal e traçou a tática e a estratégia para o futuro do partido. Mais ou menos nesta época, ressurgiu da Clandestinidade e se reintegrou ao partido, Carlito Osório, o conhecido “Cascata”, que não ficou muito tempo, preferindo depois de algum tempo trilhar outros caminhos políticos. Outro que se reintegrou ao partido definitivamente foi Hélio Garcia, camarada histórico de Colatina, que tinha estado até na China se preparando para a luta.
Na primeira eleição que participamos dentro do PMDB em 1982, elegemos um aliado “quase” militante, Josmar Pereira suplente de deputado, que assumiu o mandato graças à ajuda do então governador Gerson Camata e o Gildo Ribeiro vereador por Vitória. E ainda ajudamos nas campanhas para deputado Federal do Max Mauro e demos até uma forcinha para Nelson Aguiar também se eleger deputado federal.
MEMÓRIAS GILDEANAS (Quarta parte)
Como recorda muito bem Gildo Ribeiro, “uma figura de grande importância que conviveu conosco durante um grande período foi sem dúvida o inicialmente Décio, depois Careca e por fim Dinéias Aguiar. Nos meados da´década de sessenta até fins dessa e inícios da década de 70. Por força de um vendaval que varreu o PCdoB-ES, quase do mapa, ficamos quase todos dispersos”.
Memória viva do PCdoB em terras capixabas, Gildo diz que “é bom lembrar que o Partido jogou um papel importante na campanha das Diretas Já. Ao ponto de fazermos a aproximação do PT com PMDB e outras forças, sendo que umas das principais reuniões para tal fim, se deu no Centro Comunitário de Ilha de Santa Maria e Monte Belo, inclusive com a presença do Deputado dissidente da Arena, o Deputado Teodorico Ferraço, que apoiava o Paulo Maluf. Dali nasceu uma organização que culminou com um dos maiores comícios da história do Espírito Santo, o Comício das Diretas Já”.
“Se envolveram nesta tarefa não só os já citados, como os deputados estaduais Salvador Bonomo, Nilton Baiano, o pessoal do Partidão e em seguida o próprio Governador e o seu Vice José Moraes e quase todos que tinham cargos comissionados e posição política contra o regime militar. Nosso papel de convencimento de que, passada a luta pelas Diretas Já, derrotada em votação no Congresso através da emenda Dante de Oliveira, mas vitoriosa no campo político e popular era preciso avançar, nos levou e as demais forças políticas, a entender que o caminho para derrotarmos a ditadura seria agora sim, pelo colégio eleitoral, como ficou provado. Gildo lembra ainda, “que Tancredo fez grandes comícios por aqui e demos nossa pequena mais forte e entusiasmada colaboração”.
Com o partido consolidado, tive necessidade de voltar a São Paulo em 1985, tanto por problemas familiares, como para me integrar a Comissão Nacional de Agitação e Propaganda, que tinha já a Editora Anita Garibalde, editando a Tribuna Operaria, a Revista “Princípios”, livros de clássicos do Marxismo Leninismo, de João Amazonas, Diógenes Arruda Câmara e outros autores do partido e com a legalidade recém conquistada, o jornal oficial do partido “A Classe Operaria”.
UMA PARTIDA COM MUITAS VOTAS (quinta parte)
Antes disso recontatamos o camarada Iran Caetano que servia o partido em Minas Gerais, mas tinha no Espírito Santo seu berço de lutas. Falamos com o Comitê Central e o pessoal de Minas, articulamos sua volta com condições de sobrevivência, o que não foi difícil, pois ele é um médico muito conceituado. Quando Iran voltou passou a integrar a direção que já tinha o Namy Chequer, o João Martins, o Clóves Geraldo e outros. O Partido tinha crescido e já estava presente em várias cidades do interior, no movimento estudantil, em alguns sindicatos e prestigio político em todo o Estado.
Na outra eleição que o partido participou ativamente em 1986, já com cara própria e não mais dentro da estrutura do PMDB, elegemos João Martins deputado estadual pela nossa sigla. Pela legenda do PCdoB elegemos o Namy Chequer vereador em Vitória em 1988 e o Professor Ramos suplente de vereador em Vila Velha, mas assumiu o mandato a maior parte do tempo. Eu já estava em São Paulo, mas toda eleição vinha para o Espírito Santo dar uma força. Depois disto é que vieram as eras Namy e Anderson Falcão, que dominam partido até hoje.
Depois de um longo período em São Paulo fui deslocado para Brasília, mas nunca deixei de em todas as eleições e períodos de férias estar presente no Espírito Santo. Como estou agora, num exílio convalescente da terrível doença que me pegou de jeito e quase me paralisa todo. Mas se não arrumar algum emprego, assessoria, consultoria, algo para fazer, terminando o verão bato azas de volta ao Planalto Central do Brasil. E sinto no Espírito Santo, alguns comunistas capixabas menos abnegados e generosos que antes, mais ainda um grande e solidário povo.
Estão tentando calar uma das vozes mais combativas do Brasil, obstruindo sua comunicação com o Mundo via Blogs e outros instrumentos da Internet. Abaixo se grito de protesto!! Leiam e divulguem!!!
|
||
![]() | ||
![]() | ||
![]() | ||
|
||